“O afeto e as emoções transformaram-se em ferramentas de trabalho (…) [isso] faz com que os indivíduos se transformem em “seres-para-a-organização”, ou seja, numa relação de amor com a empresa. Amor que desde o princípio deve ser concebido como efêmero. O novo discurso [que adentra o mundo do trabalho principalmente a partir de 1990] bloqueia as resistências pela individualização da relação de trabalho e pela exigência da colagem do “ideal do eu” ao ideal da empresa.”

“A demanda de que o “líder” aja como psicólogo, ou seja, que ele esteja a escuta de sua equipe, é completamente perversa (…) [as] informações sobre a vida privada dos trabalhadores, no caso das empresas, são usadas como maneiras de pressionar os indivíduos a agir de determinada forma, ou mesmo como forma de humilhação frente aos colegas de trabalho.”

(Nardi, Henrique. Ética, Trabalho e Subjetividade.)